Demonstrar a relevância e a pertinência do emprego de meios que viabilizem o respeito e o reconhecimento das diferenças existentes no meio ambiente de trabalho do profissional de direito; Demonstrar que a promoção do respeito e que o reconhecimento da alteridade propiciam uma gestão eficiente de pessoas.
O ambiente de trabalho propicia aos indivíduos uma imersão dentre as mais variadas culturas, valores, preconceitos, julgamentos, uma diversidade de pensamentos, de interpretações e de visão em relação as pessoas que compõem este ambiente.
Na maioria das vezes, este ambiente se mostra hostil, no sentido de que, quase não se encontra tempo para reflexões ou para o estabelecimento de uma visão mais humana em relação as pessoas, devido ao grande contingente de serviço, de compromissos, de prazos a cumprir e metas estabelecidas para se alcançar.
Daí a necessidade de uma conduta alteritária, ou seja, uma postura de respeito quanto a diversidade que se figura e reflete no ambiente de trabalho, como forma de se otimizar o relacionamento interpessoal dos indivíduos que trabalham em equipe e passam a maior parte de seu dia em contato com seres diferentes de si mesmos.
Nesse sentido, relevante se torna observar o conceito de alteridade. Pode-se dizer que a alteridade constitui fenômeno de ordem relacional, uma concepção psicológica ao redor da relação entre o eu e o outro.
Para o antropólogo Carlos Rodrigues Brandão25 a alteridade pode ser compreendida por meio da diferença, ao dizer que:
O diferente é o outro, e o reconhecimento da diferença é a consciência da alteridade: a descoberta do sentimento que se arma dos símbolos da cultura para dizer que nem tudo é o que eu sou e nem todos são como eu sou. Homem e mulher, branco e negro, senhor e servo, civilizado e índio… O outro é um diferente e por isso atrai e atemoriza. É preciso domá-lo e, depois, é preciso domar no espírito do dominador o seu fantasma: traduzi-lo, explicá-lo, ou seja, reduzi-lo, enquanto realidade viva, ao poder da realidade eficaz dos símbolos e valores de quem pode dizer quem são as pessoas e o que valem, umas diante das outras, umas através das outras. Por isso o outro deve ser compreendido de algum modo, e os ansiosos, filósofos e cientistas dos assuntos do homem, sua vida e sua cultura, que cuidem disso. O outro sugere ser decifrado, para que lados mais difíceis de meu eu, do meu mundo, de minha cultura sejam traduzidos também através dele, de seu mundo e de sua cultura. Através do que há de meu nele, quando, então, o outro reflete a minha imagem espelhada e é às vezes ali onde eu melhor me vejo. Através do que ele afirma e torna claro em mim, na diferença que há entre ele e eu.
(BRANDÃO, Carlos Rodrigues. Identidade e Etnia. S. Paulo, Ed. Brasiliense, 1986.p. 7.)
Assim, diante da diversidade e da diferença entre os indivíduos, a convivência no ambiente de trabalho deve ser salutar, ou seja, deve haver o tratamento cordial, respeitoso, gentil e humano entre os colegas de equipe havendo meios capazes de coibir qualquer conduta que viole o dever de urbanidade.
Assim, o respeito ao próximo, a gestão eficiente de pessoas, a existência de instrumentos hábeis para impedir a prática de qualquer conduta que não esteja de acordo com a presença mínima de educação e consideração dentro do ambiente de trabalho, os esforços para a promoção de respeito e a consciência da alteridade, constituem eficaz ferramenta em prol do aprimoramento dos relacionamentos interpessoais.
